Pessoas com deficiência continuam a reclamar de exclusão no acesso aos táxis

As dificuldades enfrentadas pelas pessoas com deficiência motora no acesso aos transportes públicos e privados continuam a marcar o quotidiano de muitos cidadãos em Angola. A Associação Nacional dos Estudantes Universitários com Deficiência (ANEUD), por um lado, aponta os operadores de táxis que se recusam a levar passageiros que utilizam cadeiras de rodas e, por outro, reclama da não aplicabilidade da lei das acessibilidades e da fraca punição

Somos todos seres humanos, e não escolhemos nascer assim”. As palavras do jovem Mahinda Bunga, de 28 anos, reforçam a necessidade do tratamento igualitário, apesar da condição física – esta que ele faz questão de enfatizar que não escolheu nascer assim.

O jovem, portador de deficiência física, recorda os tempos difíceis por que passou, até antes de ter o problema de transporte resolvido. Residente no município do Cazenga, conta que, na altura, apesar de estudar no mesmo sítio no qual residia, as dificuldades de mobilidade eram frequentes. Mahinda afirma que várias vezes ficou horas à espera de táxi, com a agravante de que muitos taxistas olhavam para si com desprezo, por conta da condição física. “Muitas vezes dependia da bondade dos taxistas para conseguir pegar um táxi.

Nós conhecemos bem as pessoas que têm bom coração e as que não têm. Existem aqueles que nem sequer olham para ti, simplesmente seguem o caminho”, disse. Mahinda Bunga, que carinhosamente é chamado de Picasso, conta que sua primeira e última experiência como passageiro de um autocarro público foi difícil, por conta do excesso de lotação e da agitação no interior do automóvel. Hoje, já com um transporte, vê a mobilidade facilitada, mas não deixa de chamar a atenção para questões relacionadas com as pessoas portadoras de deficiência.