Polícia Nacional na Huíla admite envolvimento de efectivos de órgãos de defesa e segurança em garimpo de ouro.

Nos últimos dias, as cidades de Jamba Mineira e Dongo, na província da Huíla, têm estado em evidência popular por serem as que mais oferecem facilidades para a exploração de ouro. Isso atrai pessoas de várias províncias, como Luanda, Benguela, Cunene, Namibe e Cuando, que vêm para se dedicar à extracção do minério. O que não se sabia é que essa actividade é realizada com a “guarita” de integrantes ou membros dos órgãos de defesa e segurança do país, especificamente a Polícia Nacional (PN) e as Forças Armadas Angolanas (FAA)

O chefe de Departamento de Operações e Segurança Pública do Comando Provincial da Polícia Nacional na Huíla, Elizeu Justo, admitiu ontem, na cidade do Lubango, que a exploração de ouro na província da Huíla conta com a participação de efectivos dos órgãos de ordem e segurança, que garantem “guarita” aos garimpeiros.

O nosso interlocutor informou que tal guarita, cujos protagonistas não quis precisar, passa pelo fornecimento de armas de fogo do tipo pistola e AKM’s, escolta dos compradores para as zonas rurais e segurança nas zonas de exploração. De acordo com o responsável, que falava à margem da conferência de imprensa que serviu para apresentar os resultados da operação “Quebra Molas”, a exploração de ouro no município do Dongo envolvia perto de 40 mil pessoas que actuavam nas mais diversas frentes, desde a venda de bens alimentares, bebidas e fármacos.

O responsável fez saber que fazem parte desta rede mais de 40 mil pessoas, desde garimpeiros, comerciantes e enfermeiros, que prestavam serviços a toda a cadeia de produção e comercialização de ouro naquela parcela do território nacional. Para contrabalançar a situação, o Comando Provincial da Polícia Nacional na Huíla gizou uma operação com o objectivo de desactivar duas minas localizadas no município do Dongo, que albergava este número de pessoas.