Angola assinala o Dia da Cultura Nacional num tempo de contradições profundas.

Nunca houve tanta circulação de referências globais, nunca houve tanto acesso à informação, mas também nunca foi tão evidente a fragilidade da ligação às raízes culturais. Entre tradição, modernidade, religião e globalização, cresce um conflito silencioso que atravessa famílias, escolas, igrejas e instituições do Estado.

Na criação artística contemporânea, essa tensão é visível. A artista Edna Mateia afirma que a ancestralidade não pode ser tratada como ornamento cultural nem como figurino de ocasião. Para ela, a cultura ancestral é matéria viva, presente no corpo, na linguagem estética e na forma de estar no mundo.