Tema do Dia: As alterações climáticas que intensificam no sul de Angola.

As alterações climáticas têm vindo a intensificar-se de forma significativa no sul de Angola, particularmente nas províncias da Huíla, Cunene e Namibe, onde a variabilidade da precipitação e o aumento das temperaturas têm agravado os ciclos de seca já historicamente recorrentes.

Nas últimas décadas, estes fenómenos deixaram de ser episódicos para se tornarem frequentes e prolongados, comprometendo seriamente os ecossistemas locais e os meios de subsistência das populações rurais. Estima-se que milhões de pessoas tenham sido afetadas por secas severas, com impactos diretos na segurança alimentar, no acesso à água e na estabilidade socioeconómica das comunidades .

Apesar deste cenário adverso, as populações do sul de Angola têm demonstrado notável resiliência, desenvolvendo estratégias adaptativas que incluem a diversificação de culturas, o uso de variedades agrícolas mais resistentes à seca e práticas tradicionais de gestão de recursos hídricos. Programas comunitários e iniciativas de capacitação têm também desempenhado um papel importante no fortalecimento da adaptação local, promovendo o uso sustentável dos recursos naturais e a melhoria dos sistemas produtivos .

Neste contexto, a conjugação entre a resiliência comunitária e os investimentos em engenharia hidráulica revela-se essencial para enfrentar os desafios impostos pelas alterações climáticas.

A construção de sistemas hídricos eficientes, aliada ao fortalecimento das capacidades locais, constitui uma via estratégica para promover a segurança alimentar, impulsionar a agricultura e assegurar a instabilidade dos meios de vida no Sul do país.

Em entrevista à Rádio ONU, o Ministro da Energia e Águas, Rui Baptista Borges, destacou as ações em curso para mitigar os impactos das alterações climáticas na vida das comunidades do sul do país.