A doença da raiva continua a ceifar vidas de cidadãos angolanos mordidos por animais não vacinados, ou ainda daqueles que se dirigem tarde à unidade hospitalar quando atacados pelos bichos. Entre muitas questões ligadas ao vírus, destacam-se os custos para a aquisição de vacina no exterior do país, que rondam os 500 dólares por pessoa, tal como afirmou a coordenadora do Programa de Vacinação em Luanda, e ainda o descuido por parte de alguns donos no que a vacinação dos animais diz respeito.
Teresa Barroso e o esposo viveram um trauma que, muito provavelmente, não se apagará tão rapidamente das suas memórias. Em Junho de 2024, a mulher contou (a este jornal) o choque que teve ao ver a filha despedir-se de si no Hospital Josina Machel, vulgo ‘Maria Pia’, com delírios e convulsões, sinais evidentes do vírus da raiva.
A menor, que em vida se chamou Carla Gaspar, que na altura tinha 12 anos, terá sido atacada por um cão de marca Caniche dos vizinhos que a apanhou desprevenida quando brincava no quintal da sua casa, no Kilamba Kiaxi, propriamente no bairro Popular.
O animal mordeu a vítima no dedo polegar da mão esquerda da vítima. Na tentativa de se precaverem, os pais de Carla exigiram dos donos do animal o cartão de vacina para que se confirmasse se tinha ou não a vacina antirrábica em dia, ao que os mesmos demoraram dias a apresentar o documento. Já depois de passarem alguns dias, os proprietários do caniche apresentaram um cartão de vacina que parecia novo, com a garantia de terem o cão vacina- do, o que não acalmou os pais, que duvidaram da veracidade do cartão.




